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March 06 
Quando escrevo, eu me excito Só, de amor, pensar em ti... Sinto as entranhas ardendo, Vou com prazer remoendo O que contigo vivi.
Ondas de calor me afagam, Sofro a dor dos desejos. E cada verso transpira A excitação que me inspira A buscar mais por teus beijos.
Cada poema que faço É como amor fazer: Tomar-te em mim, amado, Sentir teu corpo adorado Penetrando em meu querer...
Rolam as letras que traço Como rolamos nós dois... E permanecem mostrando, Nosso prazer expressando Antes, durante... e depois...
Te Amo Nel....
April 22
Pétala em êxtase sedenta, desnuda, trêmula e úmida
Pulsa...
Recôndito incandescente que espera impaciente tua língua indecente
Lambuza!Pétala em êxtase sedenta, desnuda, trêmula e úmida
Pulsa...
Recôndito incandescente que espera impaciente tua língua indecente
Lambuza!

April 14
Lábios colados, na voragem do amor, corpos colados despertando emoções... é o amor, com muito calor, acendendo corações. É amor... é ternura... é carinho. É a explosão do amor, do desejo, da paixão, que vem chegando devagarinho, e termina numa grande explosão...
Sente-se chegar ao alto... beijo que causa sobressalto... corpos que não se separam... mãos que sem cessar se tocam... carinhos incessantes... amor sem fim até o prazer explodir, e enfim... os corpos cansados, suados, ficam quietos... largados. Permanecem abraçados... Apaixonados...

March 26
Ouvi
da tua boca um arrulho inquieto
Ao contato dos nossos corpos desnudos
E o desejo era como gritos agudos
Fazendo vibrar cristalino objeto.
Puseste-me, na boca, o fruto da figueira,
Perfumado como um campo de flores,
O beijo que liberou os secretos calores
Da nossa paixão que não é passageira.
Nos teus braços viajei por costa agreste,
Submergimos no mar do prazer entre sargaços
Que me apertavam com a força de muitos braços,
Erguendo-me do cume d’um cipreste,
Para o azul do céu que torna a libido atiçada
E com o correr da mão pelo pecado,
Como o arqueiro de arco aprumado
Cravas a seta na frágil paliçada.
Com ternura acaricio teu rosto suado,
O ventre arfante e as fortes coxas
E nelas procuro as marcas roxas
Da vitória que o amor possa ter deixado.
 March 24
Lembrei-me dos teus olhos provocadores, Das tuas mãos finas, do teu riso cristalino, Da tua boca quente, ao meu ouvido, Murmurando versos sedutores...
Recordei dos nossos momentos, Das loucas fantasias de amor, Do ciúme lacerando meu coração, E do beijo ardente da reconciliação...
Numa tarde de verão, chuvosa, desfeita foi, a ligação dolorosa, Onde o amor era o espinho E não a rosa...
Revivi a lancinante despedida, As horas de tristeza, as noites tão sofridas, A tua presença, em meu pensamento, tão silente, E as escaldantes lágrimas, em meus olhos, presentes...
Ah! Se a razão as paixões comandasse, E, se dos sentimentos fosse rainha, Não teria te amado tanto...teria rompido O fio subtil que unia minh’alma a tua...
Voltaste, confiante do perdão, para o ninho, antes desprezado...Encontraste-me diferente, pois encontrei a paz de espírito perdida, e fiz da razão meu baluarte de vida...
Por isso tenho medo desse amor reatar, De abrir meu coração e vê-lo, novamente, sangrar, De reacender a chama adormecida, De reabrir as cicatrizes das velhas feridas...
Tenho medo!... Tenho medo!..

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